Como o Parque da Cidade está recuperando o desenho original de Burle Marx
A troca de 1,6 mil pinheiros por 3 mil mudas faz parte do resgate do projeto paisagístico que Roberto Burle Marx criou para o parque nos anos 1970.

O Parque da Cidade não nasceu por acaso. Quando foi inaugurado, em 1978, ele reunia alguns dos maiores nomes da arquitetura e do paisagismo brasileiros: o urbanismo de Lucio Costa, as construções de Oscar Niemeyer e Glauco Campelo, os azulejos de Athos Bulcão e o paisagismo de Roberto Burle Marx.
Com o passar das décadas, parte desse desenho se perdeu. O exemplo mais visível era o antigo Bosque dos Pinheiros: árvores exóticas, plantadas há mais de 40 anos, que não faziam parte do projeto original.
Saem os pinheiros, entram 3 mil mudas
Em 2023, o Governo do Distrito Federal começou a retirar cerca de 1.628 pinheiros do parque — o primeiro passo para recuperar o projeto de Burle Marx, com adaptações. Em janeiro de 2024, 3 mil mudas foram plantadas na área do antigo bosque.
A troca tem motivo: árvores nativas e as espécies previstas no projeto original combinam melhor com o clima do Cerrado, dão sombra de qualidade e atraem a fauna local. Hoje, o parque abriga mais de 200 espécies de árvores e plantas, e recebe aves como o tucano e o beija-flor.
Um parque que ainda está crescendo
Árvore leva tempo. As mudas plantadas em 2024 ainda vão demorar alguns anos para formar o bosque imaginado por Burle Marx. Enquanto isso, vale reparar nos ipês: entre agosto e setembro, eles florescem e mostram por que o paisagismo do parque é um patrimônio de Brasília.
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